Resenha - Matadouro cinco
“A vida vai muito além do que está escrito nos livros.” (p.60)
Billy acredita em discos voadores e em viagem no tempo. Sua história é narrada a partir do seu lapso temporal, alternando no tempo em que estava na guerra, e em momentos antes e depois dela. A obra relata sobre o bombardeio de Dresden.
O que achei bem interessante e diferente é que o autor mistura um drama sobre guerra com ficção e um pouco de humor. Apesar de ter muitos momentos chocantes, (visto que se trata de guerra) é uma leitura fluida e divertida. No entanto, não me senti cativada pela história, talvez pelo fato de ficção científica não ser um dos meu gêneros favoritos. Em alguns momentos, quando era narrado sobre os tralfamadorianos (alienígenas), achei a leitura maçante. Além disso, não me senti apegada aos personagens.
A obra foi publicada em 1969 e esta é uma edição comemorativa de 50 anos. Matadouro cinco possui uma escrita informal. Eu não me sentia “lendo”, mas como se estivesse escutando o próprio narrador contando a história, pois ele possui um estilo próprio, trazendo expressões como “escuta só” e a repetição da frase “É assim mesmo”, esses traços de oralidade prendem a atenção ao que está sendo narrado.
Muitos parágrafos são separados por reticência indicando um momento de pausa na narração. É uma livro bem “louco”, a todo momento há mudança de tempo/ assunto/ momento, mas não me senti perdida ou confusa com a história.
O autor Kurt Vonnegut serviu durante a Segunda Guerra Mundial e assim como Billy ( o protagonista do livro) foi prisioneiro durante o bombardeio de Dresden.
Matadouro-cinco é uma ficção científica com fatos históricos. O livro é cheio de referências e mesmo sendo ficção, o autor faz diversas críticas sobre vários assuntos reais, causando reflexões.
Sempre vejo filmes mostrando como a guerra mexe com o psicológico das pessoas e ler essa ficção me fez pensar em Billy e suas viagens no tempo, representando que, mesmo após a guerra, ele ainda se encontrava preso ao passado tenebroso, às más lembranças, aos traumas e atrocidades vivenciados...
“É assim mesmo.”

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