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Resenha: As vinhas da ira- John Steinbeck

Uma obra de grande destaque que foi publicada no ano de 1939, escrito por Steinbeck. 
As vinhas da ira é um romance que conta a história de uma família que foi expulsa de suas terras em Oklahoma e está em destino à Califórnia a procura de trabalho, criando a ilusão de que lá viverão bem em situação financeira e que serão felizes. Mas não é nada disso que acontece. Na Califórnia não havia trabalho, e os que haviam, era 25 cents a hora. Já que todos estavam loucos por trabalho, os empregadores sabiam que não importava o dinheiro que fosse haveria trabalhadores, então quem não quisesse morrer de fome, trabalhava por 25 cents a hora, não só o pai, mas a mãe, as crianças, todos trabalhavam para poder sobreviver. 
O livro retrata a crise econômica de 1929 e a condição que as pessoas se submeteram para poder sobreviver a essa crise. Não era nada fácil ser expulso de suas terras, ter que sobreviver na estrada até a Califórnia, por ter sido enganado por panfletos dizendo que lá havia oportunidade de emprego. Sim, havia, mas de uma forma escrava, por pagar tão pouco, entretanto era isso: as pessoas se submetiam a escravidão ou morriam de fome. 
O livro retrata a miséria, a fome, a falta de amor, a falta de empatia. Retrata os humanos esquecendo de que são humanos em meio a uma crise econômica. E a família Joad após ser expulsa de sua Terra pelos proprietários, ao ver sua casa ser desmoronada por tratores a mando do governo, vai à Califórnia com a esperança de conseguir um bom lugar para morar, um bom emprego pra se sustentar. 
Steinbeck retrata em sua obra pessoas passando fome, e homens derramando querosenes nas laranjas, nos cafés, nas frutas e nos trigos. Pessoas passando fome, e as batatas indo de rio abaixo e os guardas impedindo que alguém faminto as pegue, crianças sofrendo de pelagra e morrendo, os médicos declarando nas certidões de óbito "morte por inanição", porque a laranja não podia deixar de dar o seu lucro. 
Steinbeck se posiciona quando diz: 
“Há um crime nisso tudo, que não foi denunciado. Há uma tristeza nisso, que o pranto não pode simbolizar. Há um fracasso nisso que opõe barreiras ante todos os nossos sucessos.”(pág. 480)
                                                                    
 Apesar de ser uma obra ficcional, podemos ver que o autor transfigura o real por relatar por meio de um romance, os acontecimentos da época. Ao lermos podemos pensar em quantas pessoas migram para outra país, a procura de uma esperança, a procura de uma luz, um emprego, a procura da felicidade. Quantas pessoas ainda hoje são obrigadas a sair do próprio país por conta da guerra, violência e da miséria. O lugar onde moramos deveria ser como um abrigo em que se refugiar, e não um lugar de que fugir.  Podemos também pensar no desemprego, decorrido pela crise de 1929, mas que ainda é um fator presente com que lidamos atualmente, o que mais vemos hoje são pessoas que querem trabalhar, ter um emprego digno, assim como os Joads, e fábricas que contratam pessoas para escravidão.
Podemos imaginar hoje, milhões de pessoas no mundo que morre de fome, enquanto em restaurantes comidas são jogadas foras, sem nenhum motivo, enquanto em fast-foodsanduíches são jogados foras porque não estão "bonitos". 
Ao lermos a obra de Steinbeck, por ser uma edição antiga percebemos na sua escrita às acentuações que hoje não mais existem no português, mas que não atrapalham nada na história. 
Steinbeck é extremamente detalhista com a escrita que chega até a ser poético. Apesar de ser um livro da década de 30, é um livro de fácil entendimento, a forma que o narrador conta a história faz com que seja envolvente apesar de ser um livro de 629 páginas. Os capitulo são enumerados e divididos em algarismo romanos. Os diálogos são tão reais, e a história é narrada de uma forma simples, mas ao mesmo tempo profunda, John Steinbeck, diferente de Machado de Assis que sempre oculta suas críticas deixando-as apenas vistas nas entrelinhas, ele as expõe, de uma forma verossímil, brilhante e comovente, não comovente relacionado a uma obra dramática, mas a uma obra realista. 
Um dos motivos era que Steinbeck nasceu em Salinas e presenciava a vida dos trabalhadores tanto da cidade como do vale de Salinas, centros agrícolas, que foram pano de fundo de grande parte de sua ficção. Seu primeiro romance foi Cup of gold (publ­i­cado no Brasil como Tempos passados), de 1929.  Depois publicou outros, mas aquele que é considerado seu melhor romance, The grapes of wrath (As vinhas da ira), em que foi premiado com o importante Prêmio Pulitzer de Literatura e adaptado ao cinema como As vinhas da Ira, em produção de 1940, de John Houston. 
Para aqueles que apreciam uma leitura ficcional que relata pontos históricos de forma real, em As vinhas da Ira encontrará nas falas de Steinbeck uma história sobre uma família que tenta sobreviver à crise de 1929, um livro tocante, que fala da união familiar em meio à tragédia.

Referências
STEINBECK, John. As vinhas da ira/ Trad. Ernesto Vinhaes e Herbert Caro - Rio de Janeiro: Bruguera, 1972, 629 p. ISBN 1020363636.
http://www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=948848&SubsecaoID=0&Template=../livros/layout_autor.asp&AutorID=835344

Ps: Um dos meus livros preferidos


Nota:
⭐+ ❤️

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